13 de novembro de 2015

Maratona do Porto 2015 | A minha experiência

E o que vos posso eu dizer sobre esta prova? Que desisti.

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Depois da Maratona de Longford  comecei a preparar a do Porto e foram três meses de muito treino, de muito sacrifício, algumas dores, de resultados que teimaram a aparecer, de expectativas, enfim, de tudo o que implica a preparação para esta distância. E eu, que nestas coisas até sou beta-que-dói e cumpro 95% que o treinador manda (sendo que os restantes 5% são uma espécie de erro para chocolates, TPM, colegas que oferecem chocolates, dias de chuva torrencial, chocolates que aparecem na gaveta do trabalho, idas à osteopata e que obrigam a paragens de 3 dias, etc), tive mesmo de interromper a prova. 

No inicio colei-me à lebre referente ao meu tempo e por aí fui sempre com ela debaixo de olho. O ritmo estava bem encaixado, sem forçar muito (mas também não ia a comer gelados...) e sempre a fugir para as bermas da estrada de forma a desviar-me da multidão e acompanhar o balão. Até que aos 5km comecei a sentir uma dor nas costelas, uma dor que conheci 4 semanas antes da prova e que me obrigou então a uma visita à osteopata. Ela fez o que tinha a fazer e não voltei a sentir dor, até àquele momento. A partir de então, foi um constante dialogo dentro de mim, a avaliar as hipóteses de continuar a seguir o balão, descer o ritmo ou ficar por ali mesmo.

Quando cheguei ao km10, já mal conseguia respirar e a dor nas costelas propagou-se ao ombro e braço do mesmo lado. Nessa altura, encontrei o meu pai e o meu namorado (ambos a recuperar ritmo de treino após lesões graves) que, apesar de inscritos na Maratona, iam fazer cerca de 20km. Quando os encontrei e lhes contei o que se estava a passar, conseguiram replicar exactamente o que se passava dentro da minha cabeça: um dizia que se estava com muitas dores, não devia força e devia parar; o outro dizia para baixar o ritmo ao mínimo e terminar a prova. E foi aqui que comecei a ficar muito emocionada.  

Desistir era a hipótese menos provável. Nunca o tinha feito antes e  - achava eu - também não seria naquela. Como o meu pai ainda está com um ritmo de corrida muito baixo, o meu namorado decidiu acompanhar-me durante uns km para não ficar sozinha e apoiar-me até ganhar nova motivação. Esperámos pelo balão seguinte e lá fomos nós. Mas apesar do ritmo mais reduzido, apesar das tentativas dele para me distrair, a verdade é que a dor era cada vez mais intensa e dificuldade de respirar cada vez maior. Passei os 15km e precisei de parar durante mais uns instantes para conseguir controlar a dor. 

Então tive de reconhecer o que era evidente... não conseguiria terminar a prova, nem tão pouco valeria apena continuar a sujeitar o corpo a tamanho sofrimento. Estava no km15 e decidi que o meu prémio de consolação seria pelo menos fazer a meia distância. Lá retomamos os dois a corrida, mas por esta altura já as lágrimas me escorriam pela cara abaixo... até que aos 17km parei, saí da estrada, sentei-me num banco do jardim e chorei.

O meu pai encontrou-nos e pedi-lhes para ficar sozinha. Precisava de recuperar, de pensar, de perceber o que tinha acontecido. Quando eles partiram, foi o descalabro... chorei muito, mas mesmo muito. Chorei tanto que pensei comigo "credo, até parece que morreu alguém!" e nem com auto-bullying a coisa acalmou. Estava absolutamente inconsolável. Estava bem, sem qualquer dor nas pernas, com resistência pulmonar, tinha o treino para fazer a minha marca, tinha a dieta e a hidratação, tinha o descanso necessário, tinha o corpo todo preparado para fazer a distância e um estúpido problema nos músculos intercostais foderam-me 2 meses de trabalho. 

Chorei de dor, de frustração, de raiva. Chorei porque, pela primeira vez, tinha de enviar uma mensagem ao treinador a dizer "desisti", que o nosso trabalho das ultimas semanas morreu no 17ºkm. Chorei porque me dediquei tanto, cumpri tudo e sentia o corpo tão preparado e ali estava eu, sentada num banco de um jardim, completamente lavada em lágrimas, cheia de raiva por um problema absolutamente idiota! E então, veio uma senhora brasileira ter comigo. Perguntou-me se estava bem, se precisava de assistência médica, se estava sozinha, se precisava de comer, se queria que ligasse para alguém me vir buscar, se, se, se... Sorria-lhe para agradecer e chorava porque só queria chorar... E foi embora.

Depois veio uma outra senhora, com as mesmas questões e com as mesmas preocupações. Na mesma, sorri para agradecer, mas sempre com as lágrimas pela cara abaixo...  

Depois um rapaz sentou-se no banco e pensei que fosse o meu namorado.  Disse-me chamar-se Ricardo e que era da organização. As mesmas questões e as mesmas preocupações. Sorri e chorei.

Depois veio um senhor equipado e com dorsal da maratona. Em inglês perguntou-me de onde vinha e de seguida disse-me o seu nome (que não me lembro) e acrescentou que era holandês. Uma forte dor no joelho obrigou-o a desistir da maratona e acrescentou "there's always a next one".

A primeira senhora, a brasileira, voltou a aparecer junto de mim. Trazia um bolinho e ofereceu-me. E às tantas, já chorava de estar tão comovida com a gentileza dela e das outras três.

Levantei-me do banco e fui para o outro lado da estrada. Queria apanhar sol e ficar mais resguardada. Fiquei muito comovida com a reação das pessoas que me abordaram, mas o que queria era mesmo chorar sozinha, sem ninguém me ver. 

Encostada a um muro de uma igreja, escondida por uns carros estacionados e sentir o sol a aquecer-me o corpo e alma, apareceu uma 5ª pessoa. Um senhor cujo nome não me recordo (acho que eles liam o meu nome do dorsal e talvez se sentissem  impelidos de dizer os seus), mas com um sotaque que não escondia as origens tripeiras, dizia-me que ia batizar o sobrinho naquela igreja, que fez várias meias maratonas, que gostaria muito de fazer a maratona, que o Porto é muito lindo, etc. etc. Às tantas, já era eu que o incentivava a fazer a distância e fiquei, finalmente, mais calma.

Mas voltando ao inicio do texto, o que vos posso dizer da minha experiência do Porto? Que a minha prestação foi uma valente merda, mas que todos os momentos de agonia e desespero valeram por todo o carinho que recebi e pela grande lição de humildade que trouxe comigo. Para o ano há mais.






29 de outubro de 2015

Saucony Guide 8

Este post não deverá ser considerado como um review. Não tenho conhecimentos técnicos que possam esclarecer-vos, nem tão pouco a experiência de utilização de vários modelos/marcas para realizar uma verdadeira comparação. A verdade é que desde que comecei a fazer distâncias superiores a 15km, comecei com Saucony e com Saucony continuo. Já experimentei correr com uns Asics Nimbus, mas como estranhei a "moleza" do ténis, regressei aos Saucony.

Os que possuo actualmente são o Guide 8 (modelo para pronador), adquiridos em Março deste ano. Desde então já fizeram 1.159,7km:


Destes ténis, podia falar-vos da sua estabilidade, falar-vos do seu desempenho no alcatrão, ou até mesmo da tecnologia utilizada (powergrid), mas o que opto por destacar é que, depois de ultrapassada a barreira dos 1.000km, os ténis continuam com um amortecimento e estabilidade impressionantes. O único desgaste que sinto nos ténis é na zona dos dedos dos pés onde há um ligeiro corte no têxtil e, claro, um ligeiro desgaste na sola. Não conheço a durabilidade dos ténis das outras marcas, mas se os únicos problemas dos saucony é a unhaca de fora e um desgastezito na sola, são problemas que consigo conviver muito bem.








Claro que não convém abusar da sorte. Lá porque os ténis não têm um desgaste visível, sabemos que é uma questão de tempo até o amortecimento dar de si. Mas para isso, meus caros, já temos algo em vista....









19 de outubro de 2015

Rock ‘n’ Roll Meia Maratona Vodafone RTP

Ontem, 18 de Outubro de 2015, foi dia de abraçar o desporto na capital portuguesa. Num dos maiores eventos nacionais ligados ao atletismo, a organização disponibilizou distâncias e objectivos para todos os interessados:
  • Mini Campeões EDP (dos 6 aos 13 anos);
  • Passeio MIMOSA Avós e Netos;
  • CTT Wheelchair Racing;
  • Mini Maratona EDP (distância: 6.6km);
  • Rock'n'Roll Meia Maratona Vodafone RTP;
  • Rock'n'Roll Maratona de Lisboa EDP.


À semelhança de anos anteriores, esta era uma prova que não constava nos meus objectivos, mas o meu namorado ofereceu-me um dorsal e aí a conversa foi outra. Alterações feitas ao plano de treino de forma a não penalizar objectivos futuros e lá fomos nós e mais 24 mil pessoas para a Ponte Vasco da Gama.



 Fiz muitas contas para perceber qual o ritmo que deveria fazer, pensei muito que tempo gostaria de terminar e um pouco mais sobre qual o tempo que conseguiria fazer face aos treinos que tenho realizado. Após muitas contas e reflexões conclui não conseguir concluir porra nenhuma. As únicas duas certezas que tinha era que 1) teria de fazer a prova em ritmo de competição e 2) queria descer um pouco a minha marca pessoal da meia (2h03m na Meia Maratona dos Descobrimentos - 2014). O resultado foi este:


 E o meu tempo final da Rock ‘n’ Roll Meia Maratona Vodafone RTP - 1h52m13s.